Iara Monteiro Attuch
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O estudo trata dos conhecimentos de povos tradicionais associados à biodiversidade do Cerrado brasileiro e das relações interculturais que se estabelecem entre seus detentores e membros da sociedade envolvente. A autora analisa os saberes de Dona Flor, raizeira e parteira, integrante do Povoado do Moinho, comunidade negra localizada no município de Alto Paraíso, Goiás. Trabalhos antropológicos sobre memória coletiva são aqui utilizados como estratégia metodológica para abordar o saber da raizeira. Os olhares que médicos e enfermeiros das instituições públicas de saúde municipal têm sobre especialistas de saúde deste tipo são também foco desta pesquisa com o objetivo de trazer à luz visões de intermedicalidade.
Iraci de Carvalho Barroso
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Esta dissertação apresenta um conjunto de saberes e práticas que compõem o oficio de parteiras tradicionais em quatro Municípios do Estado do Amapá. As histórias aqui narradas, são de memórias vivas de 20 parteiras que contam suas experiências no parto natural, no tratamento da mulher, da criança e da comunidade, na zona rural e nas periferias urbanas. Procuramos demonstrar neste estudo, que os saberes das parteiras estão presentes no quotidiano das comunidades que atuam. Os relatos das experiências vividas pelas parteiras, são tentativas de preservação dos valores culturais de seus antepassados.Após as indagações sobre a atual inserção das parteiras nas Políticas Públicas no Projeto de capacitação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), percebemos que esta é mais uma forma de controle do oficio de parteira pelo Estado. Demostramos finalmente que a legalização e o reconhecimento do oficio dependem da vontade política dos que governam o Estado do Amapá.
Leila Maria Geromel Dotto
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Este estudo buscou conhecer a realidade do atendimento a parturientes, realizado pela enfermagem nas maternidades do município de Rio Branco-AC.

As competências essenciais: várias práticas obstétricas recomendadas pela OMS são adotadas pelas instituições, enquanto outras não. Muitas das habilidades essenciais em obstetrícia deixaram de ser desenvolvidas ou, quando realizadas, aconteceram de forma incompleta. O modelo de divisão de trabalho para o desempenho das competências obstétricas de maior complexidade nas instituições estudadas mostrou diferenças significantes, revelando que a delegação de tais tarefas está mais na dependência da categoria profissional do que na qualificação profissional para o seu desempenho.

Conclusões: de acordo com os critérios e requisitos estabelecidos pelas políticas internacionais sobre o atendimento qualificado ao parto, a realidade revela carência de pessoal qualificado. O modelo de atenção é caracterizado por uma divisão de trabalho que não privilegia a qualificação profissional. Muitas das competências essenciais em obstetrícia não estão sendo contempladas. Revelando, portanto, a necessidade de investimentos na formação de profissionais e na reorganização da assistência, para que se possa realmente modificar a realidade da atenção materna e neonatal no Norte do país.
Joyce Green Koettker
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Os resultados obstétricos e neonatais indicam que é seguro o parto domiciliar planejado, assistido por enfermeira obstétrica, sob rigoroso protocolo assistencial e planejamento para as transferências. Os achados são semelhantes aos de pesquisas
realizadas em países em que essa prática é consolidada e reconhecida pelo sistema de saúde. A comparação das características sociodemográficas e dos desfechos obstétricos e neonatais com a paridade, não mostrou diferença estatisticamente significativa na
maioria das variáveis. Sugerem-se estudos com maior amostragem para verificar associações ou identificar variáveis preditoras de alguns
desfechos e de transferências maternas.
Maria Manuela Ferreira Garcês
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Actualmente, já se espera que o pai acompanhe a companheira durante o trabalho de parto e nascimento. A sua presença, na sala de partos, traz vivências que poderão interferir no processo de transição para a parentalidade. O desconhecimento sobre a forma como a figura paterna vivencia este momento e as condições facilitadoras e inibidoras por ele percepcionadas, tendo por base a teoria das transições proposta por Meleis [et al.] (2000), encaram-se como incógnitas evidentes no trabalho de parto e nascimento, na região do Tâmega e Sousa.

Com esta investigação pretendeu-se atingir os seguintes objectivos: descrever as vivências paternas no trabalho de parto e nascimento durante o processo de transição para a parentalidade; compreender o processo de transição para a parentalidade paterna, a partir das experiências vivenciadas no trabalho de parto e nascimento e identificar as condições facilitadoras ou inibidoras que interferem no processo de transição a partir das vivências paternas no trabalho de parto e nascimento.